05 maio 2024

O Bom Patrão

Hospitalidade, foco e atenção por Inês Patrício

“No meu trabalho é constante o chegar e o partir de pessoas. Os doentes claro, a quem a hospitalidade é necessária, mas ao mesmo tempo estranha.” Foto © Inês Patrício.

Numa entrevista a Tolentino Mendonça ouvi uma palavra que, não sei bem porquê, não ouvia, ou não pensava, há muito tempo. Hospitalidade. “Modo generoso e afável de receber ou tratar alguém.” Assim diz o dicionário Priberam. A palavra ficou. Anda aqui por dentro, “da cabeça para o coração e do coração para a cabeça”, como escreveu Almada Negreiros.

No meu trabalho é constante o chegar e o partir de pessoas. Os doentes claro, a quem a hospitalidade é necessária, mas ao mesmo tempo estranha. Porque no hospital, nem os doentes, nem os médicos, querem que ali se fique. Quer-se que aquele tempo não seja nem muito difícil, nem muito longo.

Os colegas, num ritmo mais ou menos rápido, chegam e vão. Sobretudo os internos, vêm e ficam uns meses, uns anos, depois vão embora. Chegam e vão colegas de outras especialidades que pelas nossas enfermarias, frequentemente, têm o que fazer.

A palavra ficou. Mesmo com este treino diário, há anos, terei essa qualidade: Hospitalidade? Generosa e afável a receber? Simpatia é outra coisa. Hospitalidade, pergunto.

Numa outra conversa ouvida, com a realizadora Cláudia Varejo, cineasta, juntaram-se outras ideias. Ela, muito antes de começar a filmar, sobretudo se não se trata de actores, leva um demorado tempo a conhecer as pessoas. “O Foco são as pessoas”. E aí fiquei também presa. O foco são as pessoas. Quando tudo parece muito difícil é, muitas vezes, um momento absolutamente concreto de contacto com alguém que me salva o dia. Não são as coisas, os procedimentos ou os orgulhos. Mesmo estando num momento da profissão, especialmente na Alemanha, onde não se espera que eu demonstre inseguranças ou dúvidas, eu decidi, desde o início, ainda em Portugal, que nenhuma pessoa receberia um tratamento menos adequado por causa do meu orgulho ou da minha vergonha. Não é difícil, porque penso sempre que a pessoa é que é importante. Sigo a perguntar. 

Dessa conversa surgiu também a “Atenção à variedade.” A história que cada um transporta. Na linha de Chimamanda Adichie e a recusa da “história única”. Nisso Berlim é muito rica porque é muito livre (acredito que já tenha sido mais). Cidade de muita gente diferente, que a procura, porque aqui tem o seu lugar. Não é maravilhoso que as pessoas sejam isso mesmo, apenas pessoas? Cada um veste, come, reza, adora, namora, vive o que quiser, sem que haja um controlo social sufocante. Se se quiser estar atento, essa variedade faz acontecer mudanças cá dentro. Compreende-se, claramente, que é num monte de ideias feitas que crescem incompreensões, preconceitos e medos. Durante muito tempo ficava desalentada por não encontrar pessoas com que me identificasse, profundamente (de preferência). Agora usufruo a diferença. Penso muitas vezes numa frase, que ouvi tantas vezes em criança… Ainda bem que as pessoas são diferentes, “por isso é que o mundo não se vira”. E tem graça que, com quem menos se espera, se vivem momentos de pura identificação.    

Sou uma grande adepta de viver outras vidas através da cultura, em especial no teatro, no cinema e na literatura. Uma só vida não chega para se viver tudo. É como se a ficção nos preparasse melhor para a realidade. No entanto nada disso substitui o foco nas pessoas e a atenção à variedade. É preciso, parece-me, mais que perguntar, ouvir. Acontece-me, constantemente, alegrar-me por ter ficado calada a esperar, a observar, como os outros se movem, como se referem ao que acontece ou ao que desejam. É tão fácil dizer a coisa errada! Posso ter curiosidade em perguntar muitas coisas, mas as minhas perguntas estão cheias de ideias feitas: do que é uma pessoa oriunda daquele país, do que é uma mulher que fez um aborto voluntário, de uma mulher Trans, de um homem homossexual, de uma colega sempre com ar frágil e inexpressivo. As ideias que eu tenho não são más ou acusatórias, nada disso! Mas claro que imagino histórias (e mesmo sofrimentos) que nada têm a ver com a pessoa à minha frente.

Prefiro então receber as pessoas com simpatia, sem ansiedade. Dar tempo ao tempo. Prefiro que as conversas surjam, se surgirem. Aprendo a aceitar que muitas histórias nunca saberei e que isso também está bem. Talvez seja essa a minha forma de hospitalidade. Incompleta, mas honesta.

 

Inês Patrício é médica, vive em Berlim com o marido de olhos de mar e uma filha solar.

 

04 maio 2024

a escravatura deve ser paga/ressarcida!? (link para texto que diz o contrário)












Reação póstuma ao link: Reparar o irreparável por gente que têm tanto em comum com os violadores, violados, condados portucalenses ou mouros parece-me ridículo. Não fomos nós os colonizadores, nem eles são os colonizados, já somos outros! É como querer que um bebé responda por toda a merda, baba e vómito que fez como filho enquanto pai e adulto.

Os Fabelmans – Steven Spielberg

19 abril 2024

Uma Vida Singular


Uma história sobre humana de bater palmas!

Catarina Oliveira na Voz de Cama da Antena 3


Uma aula libertadora sobre ser pessoa deficiente! 

A liberdade é traiçoeira

Numa altura em que se tentam descobrir tantas e tão perversas maneiras de baixar a garimpa à liberdade, comemorar o 25 de Abril não é só importante – é fundamental. Para que um dia não sintamos saudades daquilo que só demos pela falta quando já lá não estava.

UMA PESSOA só se dá conta do que lhe faz falta quando já não tem. É uma sombra que não nos larga. Quando temos o que nos foi fácil, o corpo vai-se habituando a não saber ser de outra forma. Acomoda-se às certezas, e não suspeita da leveza com que o tabuleiro vira em menos de nada; e aquilo que sempre lá esteve, rapidamente fica uma memória longínqua de um tempo em que estava lá tudo. Quando as coisas que precisamos estão longe, choramos aos céus pelos dias em que as tivemos à mão. Sonha-se com o que não se tem, pelo desejo do que se podia ser.

O 25 de Abril aconteceu quando eu ainda não estava cá para saber a falta que ele me iria fazer. Foi uma revolução que plantou a geração livre da qual faço parte, e que deu ao País as cores que lhes tinham sido roubadas durante tantos anos. Já nasci em liberdade, num País que ainda estava a aprender a voltar a andar. Há gerações que não sabem o que podem perder, porque não sabem o que têm; e quando não se sabe o muito que está em jogo, aposta-se de olhos fechados. A ignorância é inimiga do povo, mas é a melhor amiga dos que se aproveitam dele.

A liberdade é traiçoeira, porque vai ficando invisível com o tempo. De tanto lá estar, deixa de se ver. Mas é quando a confiança se agiganta que o tropeço acontece, porque já não se olha para o chão a ver se há pedras que possam fazer o corpo tombar. Olha-se só para a frente e para cima, e confia-se que se está tudo em pé, é porque não há nada capaz de nos levar ao chão. É essa a angústia de se ser livre sem se saber – a de não imaginar sequer o que será acordar um dia e não se ter o que tínhamos por garantido. Passaram-se 50 anos desde que Portugal abriu em flor, e neste ano – mais do que em todos os outros – há que dar corpo e voz à palavra que se fez invisível por estar sempre segura; para que ela não seja só uma ideia vaga, mas antes os alicerces que não tremem mesmo quando tudo o resto cai. Não é só quando se perde a liberdade que se deve lutar por ela – é sobretudo quando a temos que devemos tomar conta dela com o respeito e a dedicação que merece. Falar dela, dar-lhe o valor que ela tem, tomar-lhe o pulso e semeá-la em todos os que passam por nós, para que a levem e falem dela por onde quer que passem.

O 25 de Abril não foi um dia, foram vários anos de sufoco que gritaram todos juntos, ao mesmo tempo, num só dia. Juntaram-se tempos de sofrimento, medo, restrições, denúncias, segredos, palavras proibidas, sonhos esmorecidos e amores perdidos. Grupos de pessoas que não se podiam juntar para falar ou discutir ideias, a falta da liberdade de expressão, uma mulher casada que não podia sair do País sem a autorização do marido, a proibição de beber Coca-Cola, as multas para quem se beijasse na rua, a homossexualidade proibida e criminalizada, a proibição do uso do isqueiro sem o pagamento de uma licença. Parecem tudo coisas que estão muito longe, num tempo que não volta. Mas os tempos que não voltam, mandam sempre notícias de longe. Perguntam como está tudo por cá, e mandam dizer que um dia aparecem para matar saudades.

Juan Cavia
A minha filha mais nova, que aos 9 anos aprende o muito que aconteceu antes de ela chegar, chegou hoje a casa com um poema que escreveu no intervalo da escola. Pedi-lhe se podia partilhar o que ela tinha escrito, e ela disse-me que sim.

“Com o L de Liberdade, e com o V de Vitória,

o povo lutou pelo País da memória.

Hoje em dia não somos obrigadas a usar saias.

Podemos usar calças, T-shirts e calções.

Com os cravos nas armas ganhámos liberdade.

Hoje podemos beber Coca-Cola, e brincar com todas as coisas.

O 25 de Abril mudou tudo o que existe.”

O texto comove-me por uma razão muito concreta, que não é a óbvia: a minha filha não gosta de Coca-Cola, mas fica feliz por saber que quem gosta, a pode beber. Fez questão de dedicar uma parte do poema a uma coisa que não lhe traz felicidade, mas que sabe que pode trazer a quem a rodeia. A beleza numa idade pura como esta, consiste na alegria de ver os outros terem aquilo com que sonham. Depois, aos poucos, vamos construindo uma redoma, e vamos tomando conta só da nossa pequena e inútil liberdade. Ficamos prisioneiros do que queremos para nós. Mas só se é verdadeiramente livre quando todos à nossa volta também o são.

Numa altura em que se tentam descobrir tantas e tão perversas maneiras de baixar a garimpa à liberdade, comemorar o 25 de Abril não é só importante – é fundamental. Para que um dia não sintamos saudades daquilo que só demos pela falta quando já lá não estava

14 abril 2024

TOM MEDINA é liberdade...


Todos gostávamos de ter uma vida como a dele: Tom Medina, a apanhar boleias de estrangeiros imperceptíveis.

A entrar em touradas e a encarar touros sem medo ao natural, sem fato, nem espigões.

E a arriscar a vida sem medo, sem responsabilidades.

E sair no fim a andar a pé até ao carro da amiga com quem criou um romance.

10 abril 2024

não facilito estupidezes, não alimento burrices

Como todas as inações, não agir é contrário ao movimento!

Não pessoas são pessoas mortas, sem nada que as agite o pensamento.

Todo o ano, todos os meses, todos os dias, todas as horas, minutos.

Somos, mais ou menos parados, ou, mais vivos.

E isso passa por pensar, por escrever, por amar, por fazer, 

Por escutar, por cheirar o mundo e espalhar o nosso perfume por ele.

Por falar, por dançar, por ser ou não fazer nada com personalidade.

Muita gente decidiu que não funciona por normas.

Não pessoa é alguém que não interaja com as outras.

Que esteja fechado em casa, sem ler, parado.

É difícil ser não pessoa, todos queremos ser alguém.

Mas nem sempre sabemos o que queremos ser. 

Há gente que passa pela vida sem se atrever a falhar e erram tanto!

28 março 2024

Excelente descoberta: uma conversa!

Só Como e Bebo. Por AcasoTrabalho!” irá ao ar às segundas-feiras, às 23h (horário local em Portugal), no canal RTP1. O humorista Fábio Porchat estará no comando de um novo programa no canal português RTP: 


Só vi o primeiro sobre liberdade e abriu-me o apetite: bem bom!


12 março 2024

E assim vai o país, Marcelo!


A nova AR:


79 deputados do PSD; 77 do PS; 48 para o CHEGA; 8 da Iniciativa

 Liberal; 5 no Bloco de Esquerda; 4 na CDU (Coligação Democrática

Unitária), no LIVRE e por apurar.

Um parlamento com 230 deputados na AR com 48 do Chega é muita oratória falhada.

O centro encontra-se em empate técnico à espera que os emigrantes desempatem:  nenhum dos líderes centrais (Montenegro pelo PSD e Pedro Nuno Santos pelo PS) convencem.

Neste momento, fica o país a perder, com um elefante na sala chamado ‘CHEGA’ que a ver pelo Líder só pode piorar, se é ele aquela burlesca criatura para quê continuar!?

O Livre apresenta um grupo parlamentar e perde a imagem de ser unipessoal; e ganha nome como “esquerda verde e europeísta”. São eles, Rui Tavares, Isabel Mendes Lopes, Jorge Pinto e Paulo Muacho.

50 anos desde o 25 de Abril mereciam melhor 

festejo!

11 março 2024

Não sei...


Se é mais fácil viver acompanhado e se não encontras par é uma treta

onde pode ser o voto de contestação? hummm... no Chega!

Fraca comunicação

https://www.legislativas2024.mai.gov.pt/resultados/globais 20 partidos, 57% nos dois maiores partidos (PS e PSD) + 18% no 'assustador'  Chega!

A AR com 50 grunhos aos berros não vai ser perceptível.

Espera-se por uma AR confusa e muito pouco parlamentar: uma balbúrdia!

Marcelo, oh Marcelo, também ajudaste a este imbróglio!!!

Se18 partidos sobravam porque é que votaram todos no pior? no mesmo: o Ventura tem carisma com o segurança negro?

Já se fala em novas eleições ainda para este ano...

10 março 2024

postal do dia por Luís Osório



Peço-te com o coração nas mãos que no domingo faças o que eu te digo

1.
Hoje é o último dia da campanha eleitoral.

Decidi não escrever/falar aqui de política partidária. Há demasiados “postais do dia” partidários, mas poucos postais sobre pessoas concretas, heróis improváveis, figuras da cultura ou amadas pelo povo. 

Há muito poucos postais sobre quem se leva a sério, sobre a importância do detalhe, sobre o amor e o desamor, sobre a morte e a esperança, sobre o medo e a infância, sobre a vaidade e o vazio. 

Não me falta lenha para todos os dias querer falar contigo. 

Deixo o exercício nobre de pensar sobre a política para outros fóruns. 

2.

Porém, deixa-me que te peça… 

… sabendo que temos uma relação próxima, que me ouves mesmo que não concordes muitas vezes, que me ouves mesmo sabendo que não penso como tu ou que sou a tua alma gémea. 

De uma maneira ou de outra, tratamo-nos como amigos. 

Não me importa que sejas de esquerda ou de direita, desde que a tua esquerda ou direita consiga fazer pontes com quem não pensa como tu. 

Não me importa que sejas do Sporting, Benfica ou Porto, desde que possamos ir à bola juntos. 

Não me importa o quanto estás zangado ou zangada com o país, desde que isso não signifique desistência ou ressentimento.

3.

Quero pedir-te para ires votar no domingo. 

Faz isso pelos comunistas que tombaram no combate contra a ditadura, pelos que deram o melhor das suas vidas ou morreram nas prisões de Salazar. 

Mas faz isso também por Francisco Sá Carneiro que não poderia ter vivido o grande amor da sua vida se não existisse liberdade e democracia. 

Vai votar no domingo por Mário Soares que viveu longos anos sem ver os filhos, que nasceu de boas famílias e abdicou do conforto de uma vida mansa para perseguir a utopia. 

Mas faz isso também por Freitas do Amaral ou Adelino Amaro da Costa que foram referências de tolerância e de respeito por uma democracia - cristã que hoje quase já não existe. 

Faz isso pelos quatro portugueses que morreram no dia 25 de Abril. Saíram de casa para festejar o fim da ditadura, mas não chegaram a ver o anoitecer de um dia que achavam iria ser o mais feliz das suas vidas.

Sai de casa e vota. 

Onde quiseres, mas vota. 

Faz isso por Salgueiro Maia que nunca quis nada em troca. E pelos capitães que arriscaram a vida naquela madrugada. 

Mas faz também por Gonçalo Ribeiro Teles e António Guterres, por José Saramago e Agustina, por Siza Vieira e Paula Rego, por Tolentino de Mendonça e Eduardo Lourenço, por Ruy de Carvalho e Eunice… 

Faz a cruz na democracia e na liberdade. 

Acredita em Portugal, acredita e faz a tua parte. 

Não deixes aos outros, aos ressentidos, aos vingativos, aos de maus pensamentos, a possibilidade de decidirem por quem respeita o outro em todas as circunstâncias. 

Encontramo-nos no domingo, bebemos um café e damos um abraço.

09 março 2024

.Nancy Vieira apresentação de Gente no B'Leza


África é grande e Cabo Verde, Guiné Bissau, Marrocos e África do Sul terão tantas diferenças como a Alemanha, Canadá, Japão ou Brasil.

A terra natal dela é Guiné Bissau.

Ontem Nancy Vieira encheu o palco do São Luís de alegria, ritmo, convívio e boa disposição; uma palavra para Amélia Muge que produziu este CD!

Chamado GENTE!

08 março 2024

- Crónica Feminina –


- Crónica Feminina –

Talvez se dê menos importância à mulher do que seja devido.

Ela não é só cuidado, tem nela uma força que vai para lá do corpo e 

da razão.

É quase natural a forma como se impõe sem medo na alma, tem 

força não musculada.

É pena só no dia de hoje, 08 de março, percebermos isso ou hoje 

damos-lhe mais importância, mas ELA é inspiração onde nós só 

somos expiração.

Nós e elas não estamos em luta, ela é superior ao ser humano, sem 

ela não existias.

Todos nós viemos, nascemos do corpo de uma mulher.

O homem apropriou-se do espaço público quando a mulher estava 

preocupada a cuidar dos futuros homens e mulheres. Ela é que cria 

igualdades

Há uma luta de géneros e gerações anterior aos nascimentos.

Só recentemente, a mulher ganhou um espaço envergonhado na 

política e com menos à-vontade masculina, têm mais treino!

Porquê? Porque há uma forma de ocupar o palco machista.

Ela é mais discreta, menos presunçosa.

Ela é o lugar que se aprende a dar ao outro.

Legislativas 2024: o que quer o LIVRE para as pessoas com deficiência?


Na verdadeira amizade, em que sou experimentado, dou-me mais ao meu amigo que o puxo para mim. Não só prefiro fazer-lhe bem a que ele mo faça mas ainda que ele o faça a si próprio a que mo faça; faz-me ele, então, o maior bem possível quando a si o faz. E se a sua ausência lhe for quer prazenteira quer útil, torna-se-me ela bem mais agradável que a sua presença; e de resto não é propriamente ausência se há meios de comunicarmos um com o outro. Tirei outrora partido e proveito do nosso afastamento. Em nos separando, melhor e mais amplamente entrávamos em posse da vida: ele vivia, fruía e via para mim, e eu para ele, mais plenamente que se ele estivesse presente. Uma parte de cada um de nós permanecia desocupada quando estávamos juntos: fundíamo-nos num só. A separação espacial tornava mais rica a união das nossas vontades. A insaciável fome da presença física denuncia uma certa fraqueza na fruição mútua das almas.

Michel de Montaigne

06 março 2024

Futuro és de novo o meu país LIVRE;


Futuro és de novo o meu país LIVRE; vejam a página (link) para não serem enganados!

— Porque apoiamos o LIVRE

Queremos regressar ao futuro. É preciso voltar a dar horizonte à política. Atravessar os ecrãs e as manchetes do dia seguinte e construir uma visão que junte o melhor de nós. Só com esperança, só com o ânimo que vem da esperança, poderemos vencer os discursos de ódio e as soluções passadistas.

Queremos mais e sabemos que esse “mais” não só é possível como é necessário. Esta nossa esperança é uma força, é uma inspiração, é uma exigência.

Queremos um Portugal mais justo e mais vivo: um Estado social fortalecido, que não se contente com mínimos, mas que crie condições para que cada um possa ser o máximo de si próprio.

Queremos trazer para os lugares de decisão uma visão ecológica, que não seja mero carimbo para momentos eleitorais, mas que se traduza numa ação real, quotidiana, transversal a todas áreas, de proteção do planeta e de cuidado para com a natureza.

Queremos um país positivo, ambicioso, onde a ciência, a educação, a cultura não sejam vistas como “custos”, mas como os “trunfos” que, de facto, são. Um país que ligue o conhecimento à vida e à economia real, e que consiga guardar os seus talentos para vencer na Europa e no mundo.

Nos cinquenta anos do 25 de Abril, queremos um país ainda mais Livre.




02 março 2024

Ajuda


 

‘A cidade de Lisboa está dividida em 24 freguesias agrupadas (…)

A freguesia da Ajuda foi uma das mantidas aquando da organização administrativa da cidade de Lisboa.’ (in Wikipédia, no dia de hoje, 02 de março de 24)

Ah, não era isto: este texto vai servir-se muito da Analogia como ajuda para se expressar.

Em todos os momentos do jogo há ajuda, é interventiva e interfere, pedindo licença, quase sempre: posso ajudar é uma expressão muito ouvida.

Desde o início ao fim, pelo meio e/ou nos intervalos, é quando se joga a vida que se ajuda.

Vivemos num clima de ajuda mútua; todas as personagens se enquadram no seu papel na peça ativa da vida, no filme vivido não se sabe, por vezes, se ajudamos ou somos ajudados; é a tal história da interdependência.

E as personagens, que somos nós, vivem/vivemos dando mais importância ou menos ao seu papel de ser mais ou menos egoístas e/ou altruístas, dar mais e/ou menos ajuda.

Desde o nascimento à morte.

Em qualquer situação que penses existe uma ajuda.

Seja ela feita como autoajuda ou para quem vive connosco.

Em todas as situações e rotinas, na vida, que pensas fazer.

Ajuda é uma palavra banal para definir o Amor que existe em todas as relações e acontecimentos no dia a dia.

Os bebés, recém-nascidos, velhotes precisam de mais ajuda, são mais dependentes e por vivermos numa sociedade onde existimos uns com/para os outros, ajudamos para combatermos as necessidades.

 

Não está mal distribuída a ajuda, há sempre muitas mãos a querer ajudar em qualquer lado: ajudar ajuda e a prestação de cuidados é feita, mesmo que não queiras, por inúmeras mãos, quando circulas em cadeira de rodas.

Não é consensual esta questão no meu staff, mas acho que podia ser bem pior.

Há que saber ser ajudado também, embora ganhes truques e formas de fazer particulares quando te tornes limitado.

É conhecido pelo meu staff de cuidadores que me devem trancar o pé esquerdo para levantar da cadeira de rodas.

Há pessoas com o dom de saber ajudar, e melhoram a vida!

Todos precisamos de ajuda e de ajudar, faz parte do jogo social esta interação: todos temos profissões que interagem com outras de que beneficiamos.

Todos precisamos de pão, leite, vegetais, frutas, carne e peixe e quem os cria clientes, todos precisamos de alimentação e dinheirinho para suster as necessidades.

O dinheiro e o mercado são das mais belas invenções do ser humano.

Todos precisamos da paz, do pão, da educação, da saúde e da habitação e com estas cinco palavrinhas apenas nascem cuidados e profissões.

Mães, pais, avós e avôs, amigos, familiares, colegas são parte de cada um dos grupos abaixo. Todos podem interagir e interagem uns com os outros.

A sociedade é móvel, dinâmica e comunicativa

Paz: PSP, GNR, BV…, seguranças.

Pão: mercadores, cozinheiros, merceeiros, etc.

Educação: professores, educadores, animadores, etc.

Saúde: auxiliares, enfermeiros, terapeutas, médicos, etc.

Habitação: Arquitetos, engenheiros, obreiros, etc.

Sociedades tão diferentes como a da Argentina, a do Canadá, a da Guiné, a de Portugal, do Vietname com mudanças assombrosas de pessoa para pessoa (internamente os feitios mudam hora a hora), de casa para casa, de divisão para divisão, de rua para rua, cidade para cidade, de país para país, de época para época mudam imenso.

A ajuda pode ser dada de muitas formas diferentes: a ajuda é um conceito muito lato e todos podem e devem participar na vida pública interagindo com os outros.

Usufruo mais de ajuda do que os outros desde que o automóvel foi surfar fora da estrada e posso dizer que a sociedade não está nada mal protegida desde o início.

Tornei-me resiliente, o que ajuda, é como um comprimido que deve ser tragado embebido em otimismo.

 Plátano – ambulância – hospital – hospital – hospital (centros clínicos - Fisioterapia, terapia ocupacional, terapia da fala, hidroterapia, hipoterapia, reiki e alternativas) – contactos com amigos – visitas que vêm abrandando até já não estar em perigo.

A ajuda tem sido intensa, por muitas mãos já passou este belo corpinho, muito amor. (isto soou muito mal…)

Foi um autoconhecimento do EU e de muitos que se tornaram mais próximos e entre eles: ‘iam visitar o Belo Adormecido!’, em matilha, quando estava em coma.

Iam ajudar: se não fosse esta Ajuda que me puxou para CÁ, tinha ficado LÁ!

 


29 fevereiro 2024

- Os livros oferecem desafios –



Não se homenageia só os mortos.

Às vezes, só percebemos a falta que
nos fazem depois de mortos, havia
um vivo que eu conheci que tinha o
dom da piada e quando estavam a
mandar vir com ele dizia ainda vão ter
saudades minhas, vão ver?

E tinha razão, o bandido!

Talvez devêssemos homenagear mais
os vivos, mas perdia-se raridade.
Jorge Abegão é uma pessoa com
carisma, que transmite Amor pela vida
dele, de que disfrutamos.

O Abegão, que tem  o dom de me
oferecer sempre (2 livros – o sempre
deve ser usado para números
superiores), que me mudam a vida.

O 1º - Ética – de Baruch Espinosa,
mudou e o 2º - Ensaios de Montaigne -
ainda não li.

O Sempre para um livro é porque o
BARUCH é mesmo fixe!



O que sei é que o companheiro tem
piada e descobriu o fascínio recente de
ser avô, o que deve trazer novo ânimo
à sua graça.

O último vinha com um cartão para te
alimentar a escrita, enfadonha, digo
eu, já deve estar farto dos meus
escritos.

Os livros.

Oferecem imenso, oferecem ideias,
momentos, imaginações, abstrações,
viagens.

Cada livro oferece coisas diferentes.
Deve dar gosto encontrar um bom livro
para partilhar com este, esta e aquela
ou aquele.

Com quem gostas e queres fazer voar
num abraço apertado e que abstrai.

A vida é como um livro novo que nunca
se sabe o que vai ser a cada página,
capítulo, leitura, onde e quando o lês, a
cada momento.

Há quem seja bom leitor, mau, é
preciso manter hábitos de leitura para
ganhar rotinas e horas, locais para ler.
Dás e emprestas um livro a alguém que
desejas bem, que acreditas que vai
usufruir dele, passar bom tempo com
ele, a quem desejas bom futuro.

Dar um livro é de bom amigo.

Dar coisas é de bom amigo, prendes-
nos no afeto de onde ganharemos
liberdade.

Depende do que seja, há quem tenha
muito jeito para oferecer boas prendas
e outras nem por isso.

68 – A Amizade –


Tem que se lhe diga uma amizade!

Não é sorte.

Ou, talvez seja, encontrar tal pessoa X em dado lugar Y em Z tempo possa ser acaso, mas manter a relação já implica gostares, necessitares algo nela.

A necessidade fica aquém do grau de amor que uma amizade precisa.

Há gente com muita qualidade a manter amizades, nunca uma amizade é mantida apenas por uma pessoa, no entanto: ‘eu não tenho amigos porque amigos me não têm!’

Um conhecido que vês uma vez ou duas não se pode chamar de amigo, é provável que nunca mais se vejam se não fizerem por isso.

Nem sempre estamos abertos para a amizade, nem sempre temos vontade de estar com essas pessoas.

A amizade é mais dada às pessoas que são extrovertidas, pouco introvertidas.

Fazem mais facilmente amigos, as pessoas que saem da caixa constantemente.

Talvez não: há vários tipos de amizades.

É individual, mas há quem só a conheça em grupo.

Há pessoas e profissões que sabem ser amigas, profissões da saúde e do cuidado onde és melhor por tratares bem do outro.

Pode praticar-se a amizade: o bem receber e acolher num sorriso.

Que têm na sua personalidade ser amigas.

Em grupos que se encontram habitualmente há sempre rotinas da amizade a que sabe bem regressar e reencontrar porque sabe bem-estar com aquelas pessoas.

Adoça-te a alma, gostas de pensar nelas.

Diariamente,

Semanalmente,

Mensalmente,

Anualmente.

Só no telemóvel ou por email.

Só por escrito ou por voz.

Conservar amigos implica vontade, trabalhar para isso.

Não é certa, a amizade, é preciso sabermos cuidar dela.

Não é constante.

Deixá-la respirar.

Quando andas em grupo e tens atividades parece mais óbvio.

Quando és calado, isolado, introvertido talvez prefiras estar longe dos amigos.

O tempo e o espaço são dois padrões, limites.

Não há regras para a amizade, é daquelas magias humanas e sociais que cada um utiliza como, quando e onde quer.